O ɪᴍᴇᴅɪᴀᴛɪsᴍᴏ ᴇ ᴀ ɪɴsᴜʀɢᴇ̂ɴᴄɪᴀ ᴅᴏ AGORA

Sobre você.

Você já parou para pensar no quanto o agora pesa?

O espelho que talvez você veja e não entenda.



Há muito a se pensar quando falamos do presente. Desde a insurgência de momentos esporádicos, há a constatação do ócio. Ter medo é normal — humano. O hoje e o agora são fenômenos atemporais e, talvez, os mais ricos que podemos ter. São compostos pelo amor daqueles que amamos, pela contemplação das possibilidades e pela ansiedade diante do futuro que nos aguarda.

Defini que este primeiro enquadramento teria um ar mais pessoal. Não haveria apenas defesas de teses exasperadas, nem conjugação excessiva de fatos, muito menos sobrecargas. Essa sou eu te contando que o agora pode ser desde a melhor experiência da sua vida até, também, o seu pesadelo.

Em nossa servil realidade, os aspectos sociais nos moldam como pessoas ainda mais do que os aspectos internos e familiares. Quem nunca se sentiu limitado, sem escolha? O que o seu hoje diz sobre você? Nosso espelho grita impotência, manifestação e dúvida. Seria isso errado?

Quando pensamos entre tantas realidades, o esgotamento não é apenas físico, mas também emocional. Nesse sentido, preciso expor um segredo: como diria Fernando Pessoa, acredito que o simples ato de pensar cansa, incomoda e nos esgota. O que seria, então, do ansioso? Um grande pensador?

A realidade, repleta de múltiplas informações, nos prende por meio de algoritmos que parecem nos conhecer mais do que nós mesmos. Não se trata apenas de escapismo, mas de adaptação: do nosso orgulho, do nosso lamento e do nosso pensar. Quantas vezes o excesso de reflexão, impulsionado pelo avanço tecnológico — especialmente pela influência das inteligências artificiais — se sobrepõe às nossas percepções reais e ainda assim é vendido como algo inofensivo?

Entre tantos conflitos, qual é, de fato, o conflito do agora? Difícil definir, diante das constantes transformações do pensamento e da realidade. Aquilo que emociona, liberta e aprisiona encontra no imediatismo seu ponto central. Ele aflige subitamente o inconsciente de todo ser pensante — humano ou computacional.

O pensar moderno não reflete apenas a adaptabilidade frente à tecnologia. Ecoa também a desigualdade e os inúmeros males sociais que hoje nos colocam em um limbo de progresso lento e seletivo. A valorização do presente imediato é plural, seja ele melancólico ou não. O ponto-chave está justamente no incômodo gerado pelo pensar na contemporaneidade.

O imediatismo não rompe — ele se enraíza. Alimenta a ansiedade crônica, digital e comportamental. Faz-nos desejar o efeito da conquista e do mérito capital sem estarmos internamente preparados para os riscos e a liberdade que eles exigem. Assim, criam-se frustrações irrevogáveis que, muitas vezes, mais nos atrasam do que nos impulsionam.

Talvez o problema não seja pensar demais. Talvez seja viver rápido demais.

Texto por Bee Morry.

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